Pequeno Príncipe: temática versátil e encantadora

Falar em clássicos é falar em temas atemporais. O Pequeno Príncipe é um bom exemplo disso. “Quando o tema é um clássico, como o Pequeno Príncipe, não vale tanto inventar, o belo está justamente no clássico”, explica Katia Callaça, autora do curso da eduK “O Pequeno Príncipe: bonecos de pano“.

Katia trabalhou com o tema desse princepezinho que habita a nossa imaginação. Sempre que ele surge, nos relembra que devemos sonhar antes de mais nada e que é importante cultivar: amigos, histórias, a beleza do mundo, o simples.

Peças de Katia Callaça para o curso com tema O Pequeno Príncipe
Peças de Katia Callaça para o curso com tema O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe está ainda mais em alta desde que se tornou uma obra de domínio público. Vimos uma enxurrada de versões de livro dessa linda história invadirem as livrarias. É também um tema para o universo dos meninos, que muitas vezes ficam prejudicados pela infinidade de temas de decoração para as meninas.

O menino sonhador, que conquistou a amizade de uma raposa e viajava pelo mundo em uma estrela cadente, pode ser usados em diferentes ocasiões e materiais. Pode estampar convites de festas infantis, pode ser o tema da decoração da festinha ou do quartinho, pode ser usado para o enfeite de porta de maternidade, para o enxoval do bebê, como boneco de pano para decorar ou brincar e, para seguir a lógica do Pequeno Príncipe, o que mais a imaginação mandar.

O livro interativo desenvolvido por Katia com a temática do Pequeno Príncipe
O livro interativo desenvolvido por Katia com a temática do Pequeno Príncipe: um tem, vários produtos!

Katia contou com a interação do público para escolher esse tema para trabalhar. Ou seja, isso só comprova a popularidade do príncipe. E para se diferenciar na criação da nossa versão do Pequeno Príncipe, Katia, qual a sua dica?

O importante é buscar a sua identidade, seu gosto, seu prazer. É unir o fazer com a formação, com a capacitação, novas técnicas. Busque seu lugar e você vai abrir se espaço no mercado

A artesã nos ensina como multiplicar um mesmo tema em diversos produtos. Essa é uma característica bem interessante para diversificar seu catálogo de peças. “A partir da estética da ilustração de O Pequeno Príncipe, desenvolvi dedoches e uma peça para guardar os dedoches, um livro interativo, fiz os dois trajes do boneco e seus companheiros, o carneirinho, a rosa, a raposa e o aviador”, explica Katia.

Há todo um encantamento com o tema de O Pequeno Príncipe que precisa ser passado para as pessoas

O livro

O Pequeno Príncipe é um livro que conta a história de um menino que nos faz rever nossa visão de mundo com seus ensinamentos. Para o autor da obra, Antoine de Saint-Exupéry, um ilustrador, escritor e piloto francês, o livro, apesar de parecer ter sido escrito para crianças, é “urgentíssimo para adultos”. Talvez essa característica explique o grande sucesso do livro e a atualidade de sua história. Segundo o site da Livraria Cultura, O Pequeno Príncipe foi publicado pela primeira vez em 1943 na Nova York em que foi escrito e, no ano seguinte, na França, a versão brasileira chegou às livrarias em 1952.

Entrevista com Katia Callaça

Nessa entrevista, Katia fala, além do tema O Pequeno Príncipe, sobre como é importante que os artesãos valorizem seu trabalho, como se diferenciar no mercado e sobre a diversidade de modelos de bonecos de pano.

Katia com sua coleção exclusiva de O Pequeno Príncipe: criatividade para trabalhar o clássico
Katia com sua coleção exclusiva de O Pequeno Príncipe: criatividade para trabalhar o clássico

Formada em Belas Artes pela UFRJ, com especialização em Arteterapia, Katia já pintou, bordou e “mosaicou”. Hoje divide o prazer de confeccionar bonecas com pessoas que, como ela, amam o fazer artesanal.

Como começou no artesanato?

Quando criança, era muito introspectiva, lia muito. Minha avó contava muitas histórias para mim. Sempre fui uma pessoa reservada, sempre li muito. Fui descobrindo então um universo de fantasia, fui criando a partir disso. Fiz Belas Artes (Faculdade de Belas, na Universidade Federal do Rio de Janeiro) e encontrei soluções para ter renda. A faculdade veio ao encontro de todos esses desejos e fantasias. Na UFRJ, temos acesso a um leque bem amplo: pintura, escultura e desenho. Tive acesso a uma oferta bastante grande e eclética de fazeres em arte. Pintei, bordei e ‘mosaiquei’. E resolvi fazer isso virar um negócio e foi ganhando corpo.

E os bonecos de pano, como surgiram na sua vida?

Já na faculdade, fiz bonecos, mas eram bonecos mais voltados para a cenografia. Mas a minha linha, do que eu gosto mesmo, é bonecos temáticos.

Eu sou pega pela emoção quando estou fazendo os bonecos e dialogo com quem compra e com meus alunos pela emoção

No meu ateliê, onde dou aulas, as bonecas são muito pedidas. Percebi uma demanda de mercado. De uns 4 anos pra cá e a boneca deu uma crescida muito grande. Vários profissionais trabalhando com oferta diferenciada. Trabalho com coleções. Por exemplo a coleção “Era uma vez”, que traz clássicos infantis, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Doroty, Cachinhos Dourados. Coleção “Estrelinhas”: são as personalidades e personagens que amo. A boneca mais forte á a Frida Kahlo. Faço listas dos bonecos que quero fazer, queria ter mais tempo para fazer mais coisas. Tenho um viés de trabalho que atende ao público infantil e ao adulto. Isso amplifica muito a clientela.

Amy e Elvis na versão de Katia
Amy e Elvis na versão de Katia
Katia com seu show de bonecos!
Katia com seu show de bonecos!

A que atribui o sucesso das bonecas?

A gente acelerou muito rápido, a internet começou a globalizar. Hoje, estamos pisando no freio. Aqueles brinquedos, aquela parafernália cheia de botões, não são atrativos. A boneca tem um fazer artesanal, tem a energia de alguém. Estamos preocupados em comer melhor, em nos cuidar, estamos preocupados com a nossa saúde. A boneca tem uma maciez, traz uma calma.

E o tema de o Pequeno Príncipe, como desenvolveu?

Você sabe que foi a audiência que escolheu o tema de O Pequeno Príncipe? O pessoal escolheu, entre Mágico de Oz e Peter Pan, o Pequeno Príncipe. Foi muito legal ter essa interação com o público.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Por que o tema Pequeno Príncipe tem tanta força?

O tema Pequeno Príncipe é um clássico. A história é linda e atende aos meninos. É um tema bem fofo, mas não é bobo. O Pequeno Príncipe serve para decoração de festa, temática de quarto, para brincar. O boneco de pano seduz. O mais legal em criar, por exemplo, o Pequeno Príncipe, é ter contato com tudo referente ao tema. Quando eu vou fazer o boneco, como o do Pequeno Príncipe. Leio o livro de novo, vejo os filmes. É legal se oxigenar para produzir o boneco. Ele fica tão bonito, tão concreto que fica vivo. Você constrói referências e uma peça com história e isso é transmitido para o boneco.

Como valorizar mais o trabalho artesanal?

Precisamos avançar para valorizar o trabalho artesanal, o feito à mão, o que demora para ficar pronto. Parece brincadeira viver de fazer boneca, que é sempre um hobby ou complementação de renda, lazer, mas nunca como trabalho. A própria eduK que atua nos cursos e na valorização da profissão de artesão e os profissionais que surgiram mostrando que são bem-sucedidos em suas áreas. Aí surge um pensamento de ‘eu também posso’, é possível seguir esse caminho, viver de artesanato. O artesanato não pode perder a característica de ser um fazer lento. Não tem como fazer em escala, não se pode inventar uma máquina, criar uma indústria. O gostoso é ver que cada peça sai diferente da outra. Eu nunca faço uma peça igual a outra, gosto de imprimir alguma coisa que diferencie uma da outra.

A beleza do artesanato reside no fato de ser feito manualmente, um a um

Se eu faço dois bonecos do Pequeno Príncipe, você pode escolher o que mais gostou, pois vai haver diferença. Quando tudo entra no padrão, deixa de ser exclusivinho. Sem contar a energia do artesão em cada produto que faz!

Não venda produtos, venda sonhos

O artesão tem papel importante nessa valorização. Buscando formação, capacitação, cursos, investindo em revistas, livros, indo ao cinema, a uma exposição. Tudo é inspiração. Esteja antenado às tendências de mercado, contextualize seus produtos. Valorize sua profissão!

Nós, do Artesanato e Ponto, acreditamos muito na valorização do trabalho do artesão. Temos orgulho do artesanato, do feito à mão. Siga a nossa página no Facebook e nos ajude a compartilhar essa ideia #orgulhodeserartesã.

Veja também os cursos da Katia na eduK 

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Gostou da conversa com a Katia? Também é fã do Pequeno Príncipe? Vamos continuar a prosa aqui nos comentários!

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1 Comentário

    Adorei o Curso! Já estou pondo em prática o que aprendi, mas estou com dificuldades para encontrar a agulha de feltragem e a lã Merino na cor amarela. Onde posso encontrar? A agulha de feltragem pode ser usada com fio acrílico? Aguardo uma resposta. Desde já, obrigada!

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